28 de fev. de 2011

Eu, você e os outros



Postado por Eduardo Monte Bello


A aparição de documentos secretos de autoria do Partido Trabalhista inglês sobre seu incentivo à “imigração em massa” – ocorrida entre 2000 a 2010 – foram alvos de duras críticas pelo Partido Conservador esta semana.
Os documentos vieram à tona graças a “Lei da Liberdade de Informação” a qual obriga o governo britânico a dar publicidade a seus atos e a todos os seus documentos.
Nesse documento, o Partido Trabalhista inglês defendeu a ideia da “imigração em massa” como sendo uma saída para cobrir “buracos” em certos postos de trabalhos nos quais os ingleses já não querem mais preencher, seja por seu status irrelevante, seja pelo seu baixo valor econômico. Um segundo argumento em defesa dessa política foi o fato do partido desejar transformar a Inglaterra em um país “Multicultural”.
A partir desse fato, o governo Tony Blair (Trabalhsita) abriu as fronteiras inglesas, primeiro, aos países da Europa do Leste e, em seguida, fez “vista grossa” aos imigrantes dos demais países, segundo os Conservadores.
As consequências dessa ação podem ser vistas nas taxas de imigração da década passada. Essa taxa quadruplicou entre 1997-2007, chegando à média de 237.000 imigrantes por ano, segundo a ONG Migration Watch UK, criada com a finalidade de acompanhar e debater as questões pertinentes dessa área. A mesma ONG informou ainda que nesse mesmo período o total de imigrantes com residência fixa na Inglaterra foi de 3 milhões.
A partir desses números e do aparecimento dos documentos secretos que balizaram essa política migratória, o Partido Conservador endureceu a crítica aos Trabalhistas acusando-os de manipular a imigração com vistas a um favorecimento político.
Os conservadores seguiram a lógica de que 90% dos imigrantes que procuram residência fixa na Inglaterra são desprovidos de dinheiro, educação e qualificação trabalhista, e com isso, veem a Inglaterra como um porto seguro para sua fixação – um país que possui um dos estados de bem-estar social mais desenvolvido do mundo, com seus pujantes benefícios para a população pobre sem distinção entre “pagadores” ou não de impostos; ingleses ou recém-chegados a este país.
Portanto, sendo o Partido Trabalhista visto como um amplo defensor da criação e manutenção de benefícios sociais para à população, os ataques dos Conservadores se dirigiram ao fato de que as reais intenções daquele partido – em relação à imigração em massa – nada mais eram do que a sua perpetuação no poder, sustentado por uma ampla população necessitada de ajuda e benefícios sociais.
Voltando os olhos agora para o Brasil, percebe-se que a mesma lógica fora usada pelo PT com a criação do Bolsa Família e outros benefícios lançados na era Lula. O que pode ser comprovado olhando a votação maciça das áreas mais pobres do país nesse partido nas duas últimas eleições para presidente.
Entrando um pouco mais a fundo, o mesmo pode ser visto em muitas cidades aqui da região quando muitos imigrantes sazonais oriundos do trabalho nos canaviais paulistas são seduzidos por políticos a fixar residência e transferir seus títulos eleitorais imediatamente para a cidade em questão.
Por fim, a questão vital desse texto não é de nenhuma aspiração xenófoba, ou contrário a benefícios sociais, ou mesmo contrário um amplo estado de bem-estar social. Esse texto é apenas extremamente contrário à forma como boa parte dos políticos enxergam e tratam o povo, ou seja, apenas como um instrumento de manutenção do seu poder e criador de rendas para muitos de seus projetos absurdos.
Assim como disse Voltarie: “Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros”.

8 de fev. de 2011

Torcer sim, brigar jamais!



Postado por Renata Perazoli

Sou uma defensora da paz em qualquer circunstância. Daquela pessoa capaz de oferecer a outra face para não acontecer briga alguma. Sou assim também torcendo pelo XV de Piracicaba quando estou no Barão de Serra Negra ou em qualquer outro estádio. Porém, a confusão após a partida entre torcedores do Nho Quim e do União Barbarense, no último sábado, me entristeceu e muito!

A rivalidade em campo é normal. Torcer para que o time do coração vencer a partida com gritos de guerra, ficar com raiva da arbitragem porque marcou aquilo e deixou de marcar aquele outro lance que era falta grave ou pênalti, tudo isso acontece em qualquer partida de futebol. O que não pode acontecer é torcedor brigar na saída ou dentro do campo.

Não importa quem começou, pois não é também exemplo de bom comportamento quem revidou. Até a Polícia Militar (PM) foi reforçada no último sábado (dia 5), após o jogo entre o XV de Piracicaba e o União Barbarense, na cidade de Piracicaba. Os ônibus dos torcedores e a equipe de Santa Bárbara d´Oeste deixaram a cidade de Piracicaba escoltados pela PM.

Nem só torcedores deram mau exemplo, como também jogadores do União Barbarense. Isso aconteceu quando, no final do segundo tempo, o árbitro deu um pênalti a favor do Nho Quim e os jogadores do União Barbarense foram para cima da equipe de arbitragem, inclusive um deles empurrou o bandeirinha. Resultado: dois jogadores expulsos. Aqui fica o excelente exemplo do time do XV de Piracicaba, todos os jogadores afastaram da confusão, ou foram para o banco de reservas ou ficaram próximos do gol. Aqui também contou com os policiais militares para defender a arbitragem.

Resultado final do jogo: 2X1 para o XV de Piracicaba, que ocupa, agora, a 2ª colocação na chave no Campeonato Paulista Série A2.

Por isso, torcer sim, brigar jamais!


29 de jan. de 2011

A Revolução Jasmim



“(...)e por quantos anos algumas pessoas devem existir
antes de poderem ser livres?

(...)A resposta está voando no vento.”

Bob Dylan, trecho da música “Blowing in the Wind”.

Postado por Eduardo Monte Bello

Por quanto tempo um povo suporta mentiras? Por quanto tempo ele suporta ser explorado, extorquido, mal tratado, sem direitos, sem liberdade? Por quanto tempo ele aguenta ser torturado, abusado, furtado, sem direito a expressão e livre manifestação de pensamentos?

Após um longo, um longuíssimo tempo enfrentando situações flagrantemente inaceitáveis para os nossos padrões sociais, o mundo árabe parece que despertou de um período de letargia e começou seu processo de rompimento com o sistema político opressor que impera em muitos dos países do norte africano e do oriente médio.

O estopim de todos esses protestos – da queda de um ditador a reviravolta da ordem estabelecida em muitos países da região – foi a auto-imolação de Mohamed Bouazizi, ateando fogo em si mesmo em frete ao palácio do governo depois de ter seu carrinho de frutas apreendido pela polícia – sua única fonte de renda – e de ter sido negado sua presença no palácio do governo para solicitar a liberação do mesmo.

Bouazizi se transformou em um ícone da indignação de um povo extremamente empobrecido, sem perspectivas de futuro e sustentador de um governo extremamente corrupto.

A foto de Bouazizi correu o mundo afora pela internet. Redes sociais como Facebook, Twitter e diversos Blogs iniciaram os grandes movimentos sociais que foram vistos em seguida e teve como consequência a queda do ditador tunisiano Zine El Abidine Ben Ali.

O “efeito Tunísia” está contagiando todo o mundo árabe. Reis e ditadores estão atentos – alguns tremendo – para ver se os ventos que arrasam a Tunísia vão chegar até a porta de seus palácios.

Em alguns países árabes esses “ventos” levando o desejo de mudança estão chegando de forma incontrolada como pode ser visto no Egito nesses últimos dias.

O mais importante em todos esses movimentos reside na questão da disseminação da informação. Assim como em muitos lugares onde ditadores, reis ou mesmo prefeitos bloqueiam a liberdade de expressão em veículos tradicionais de mídia como os jornais, os movimentos políticos acharam a internet como um meio de manifestar essa liberdade.

Com isso, a internet se tornou o último refúgio para a divulgação da verdade escondida em muitos governos opressores. Um furacão que depõe tiranos, denúncia abusos, esclarece os fatos e informa os alienados.

Por fim, cabe apenas a nós acompanharmos pela internet as mudanças no mundo árabe e rezar para que no fim a democracia e a liberdade de expressão imperem no renascer de uma nova sociedade.