29 de jan. de 2011

A Revolução Jasmim



“(...)e por quantos anos algumas pessoas devem existir
antes de poderem ser livres?

(...)A resposta está voando no vento.”

Bob Dylan, trecho da música “Blowing in the Wind”.

Postado por Eduardo Monte Bello

Por quanto tempo um povo suporta mentiras? Por quanto tempo ele suporta ser explorado, extorquido, mal tratado, sem direitos, sem liberdade? Por quanto tempo ele aguenta ser torturado, abusado, furtado, sem direito a expressão e livre manifestação de pensamentos?

Após um longo, um longuíssimo tempo enfrentando situações flagrantemente inaceitáveis para os nossos padrões sociais, o mundo árabe parece que despertou de um período de letargia e começou seu processo de rompimento com o sistema político opressor que impera em muitos dos países do norte africano e do oriente médio.

O estopim de todos esses protestos – da queda de um ditador a reviravolta da ordem estabelecida em muitos países da região – foi a auto-imolação de Mohamed Bouazizi, ateando fogo em si mesmo em frete ao palácio do governo depois de ter seu carrinho de frutas apreendido pela polícia – sua única fonte de renda – e de ter sido negado sua presença no palácio do governo para solicitar a liberação do mesmo.

Bouazizi se transformou em um ícone da indignação de um povo extremamente empobrecido, sem perspectivas de futuro e sustentador de um governo extremamente corrupto.

A foto de Bouazizi correu o mundo afora pela internet. Redes sociais como Facebook, Twitter e diversos Blogs iniciaram os grandes movimentos sociais que foram vistos em seguida e teve como consequência a queda do ditador tunisiano Zine El Abidine Ben Ali.

O “efeito Tunísia” está contagiando todo o mundo árabe. Reis e ditadores estão atentos – alguns tremendo – para ver se os ventos que arrasam a Tunísia vão chegar até a porta de seus palácios.

Em alguns países árabes esses “ventos” levando o desejo de mudança estão chegando de forma incontrolada como pode ser visto no Egito nesses últimos dias.

O mais importante em todos esses movimentos reside na questão da disseminação da informação. Assim como em muitos lugares onde ditadores, reis ou mesmo prefeitos bloqueiam a liberdade de expressão em veículos tradicionais de mídia como os jornais, os movimentos políticos acharam a internet como um meio de manifestar essa liberdade.

Com isso, a internet se tornou o último refúgio para a divulgação da verdade escondida em muitos governos opressores. Um furacão que depõe tiranos, denúncia abusos, esclarece os fatos e informa os alienados.

Por fim, cabe apenas a nós acompanharmos pela internet as mudanças no mundo árabe e rezar para que no fim a democracia e a liberdade de expressão imperem no renascer de uma nova sociedade.



27 de jan. de 2011

O Exército de Um Homem Só



Postado por Theo Sarapo

Na última semana, estive reunido com a intelligentsia da cidade de Saltinho. Eu não imaginava que o nosso querido Torrão fosse dotado de um "conjunto de intelectuais, considerados como uma classe, ou como a vanguarda artística, social e política", segundo definição do Dicionário Aulete. Tive ótimas impressões. Gostei sobretudo dos anfitriões. No final, saí dali com uma certeza: Saltinho tem futuro.

O único homem público que poderia fazer parte daquele grupo, estava presente. Trata-se do vereador Carlos Borges (PPS). Ou se preferir, Capitão Birobidjan Guiznburg saltinhense. Capitão Birobidjan Guiznburg é o personagem principal do romance “O Exército de Um Homem Só” do escritor gaucho Moacyr Scliar. Guiznburg era judeu nascido na Rússia vindo ainda menino para o Brasil. Ele tinha uma utopia socialista e tentou fundar uma sociedade alternativa em Porto Alegre. No entanto, era um incompreendido. Os únicos a dar atenção ao visionário eram o Companheiro Porco, a Companheira Cabra e a Companheira Galinha; além de homenzinhos que só ele via. Nós somos os homenzinhos que só Borges vê.

Na oportunidade, Borges ou Capitão Birobidjan Guiznburg saltinhense falou sobre suas agruras de ser a única voz dissonante de uma Câmara composta por compadres. Sua solitária missão em tentar conter as investidas totalitárias de Grilo. A bazófia ignorante e o total desconhecimento de causa de seus pares.

A inglória tarefa de Borges remeteu-me ao herói scliariano. E me deu a verdadeira dimensão de nossa frágil democracia. A triste realidade que nosso município está sendo tratado como um condomínio, cujo síndico não permite ruídos paralelos após as 22 horas.
Ainda por ocasião da reunião da semana passada, desculpei-me com Borges por um texto satírico escrito por mim no ano passado, no qual o comparava a um golfinho. Errei feio. Um golfinho não sobreviveria junto a paquidermes. E Carlos Borges sobrevive.

25 de jan. de 2011

Banco de Reservas




Outro dia fiz uma postagem falando da estreia do XV de Piracicaba na séria A2 do Campeonato Paulista. Deu sorte. O nosso querido Nho Quim está liderando a chave e amanhã é dia de novo jogo, desta vez contra o lanterna, o Rio Branco. Espero ver a torcida em peso no Barão de Serra Negra, a partir das 20 horas. Mas, quem quiser, pode chegar mais cedo e vai me encontrar no bar da ARXV, conversando sobre tudo e aprendendo sobre futebol.

Aproveito a ocasião para fazer um convite: no próximo sábado, às 14 horas, tem a estreia do programa Banco de Reservas, pela Rádio Pira (www.radiopira.com.br), a primeira rádio pela internet de Piracicaba. Esse programa será apresentado por Antônio Rodrigues, João Almeida e Renata Perazoli.

João Almeida é uma enciclopédia quando o assunto é XV de Piracicaba. Ele é capaz de relatar diverso fatos com riqueza de detalhes, bem como gosta muito de futebol e outros esportes. Já, Antônio Rodrigues é um amante do Nho Quim e excelente radialista. Espero contar com a audiência de todos que nos prestigiam nesse blog.

O objetivo do Banco de Reservas é falar sobre o esporte de maneira geral, mas dando destaque ao XV de Piracicaba, time do coração de todos os apresentadores. Dê o seu pitaco, cornete conosco sobre esporte.

20 de jan. de 2011

O WikiLeaks Caipira



Postado por Theo Sarapo

Aumento extorsivo de impostos municipais proposto por Grilo e chancelado pelos seus vereadores de aluguel? O WikiLeaks caipira publica. O acesso de raiva de Grilo em um evento para crianças chamando seus críticos de “ratos de esgoto”? O WikiLeaks caipira noticia. Vereadores compadres blindando o prefeito e família de investigações embaraçosas? O WikiLeaks caipira denuncia. Dois milhões e trezentos mil reais deixados pela administração anterior? O WikiLeaks caipira questiona. Destino de verbas para o plantio de árvores, reservatório de água? O WikiLeaks caipira esclarece.
Se “A Janela Indiscreta” é o WikiLeaks caipira, Eduardo Monte Bello é o Julian Assange da Avenida Sete de Setembro. Julian Assange é fundador e editor-chefe do WikiLeaks. WikiLeaks é uma organização internacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia que publica em seu site informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas e tem deixado muita gente grande de cabelo em pé. Julian Assange é perseguido e ameaçado. Eduardo Monte Bello é ameaçado, como ele próprio publicou em seu artigo intitulado “Uma breve resposta a conhecidos anônimos”. O seu verdugo, meio iletrado, disparou: “você deveria agradecer o Grilo e não ataca-lo (sic), seu muleke (sic), irresponsável, filhinho de mamãe!! Veio cacar (sic) aqui, de novo?? Olhe bem em quem as cacas (sic) vão cair. Héim (sic)...” Nunca um assecla fora tão fiel ao seu amo. Fiel até na forma de se comunicar.
Eu, Theo, sou um mero colaborador. Como voluntário do WikiLeaks caipira faço às vezes de Jacob Appelbaum. Appelbaum é colaborador do WikiLeaks. Appelbaum fora interrogado durante três horas por agentes da inteligência do exército americano a respeito de suas relações com a WikiLeaks e com Julian Assange e sobre suas opiniões sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão. Eu fui interrogado durante três horas pela policia federal brasileira a respeito de minhas relações com o pessoal da oposição e sobre minhas opiniões acerca de Grilo. Appelbaum teve o seu laptop e celulares apreendidos. Eu tive o meu computadorzinho apreendido.
O mais sensacional do WikiLeaks caipira até agora, no entanto, tem sido o show proporcionado por seus comentadores. Fico particularmente feliz em saber que a Saltinho que pensa e que presta está crescendo e criando musculatura. São cidadãos de opiniões incisivas, independentes e, acima de tudo, de pensamento e ações democráticas.
O “A Janela Indiscreta” ou se preferir, o WikiLeaks caipira completa um mês de existência deixando muita gente grande (ou nem tanto) de cabelo em pé. Questões vitais para uma cidade sem imprensa que outrora deixavam de ser debatidas exatamente por falta de um fórum livre e eficiente, agora, além do debate; descortinam-se e vêm à tona. Vida longa a este libelo da democracia, pluralidade e tolerância, preceitos tão massacrados nos dias de hoje em nosso Torrão.
E continuamos soltos.

18 de jan. de 2011

1 mês depois...



Postado por Renata Perazoli

Há um mês Eduardo Montebello e eu estávamos discutindo o nome e o conteúdo desse blog. Depois de algumas postagens e vários comentários, cá estamos, utilizando desse um espaço democrático para opiniões diversas. O nosso objetivo é expressar aquilo que pensamos e queremos dividir com as pessoas, concordem ou não.

Um blog é um diário online, que é abastecido com textos quando os autores (ou autor, porque em alguns casos existe apenas uma pessoa escrevendo) têm algo a “dizer” por meio da escrita. Portanto, vamos continuar a escrever e a opinar sobre diversos temas.

Atualmente, somos três escrevendo, cada um com um estilo de texto. Acessar o blog é uma ação voluntária do leitor. E essa ação voluntária está nos dando mais de 200 acessos ao dia desde que colocamos o blog no ar, totalizando mais de 6.900. Isso nos honra muito.

Agradecemos cada comentário, a favor ou contra o que escrevemos. Vivemos numa democracia. Ah! Só para lembrar: todos nós temos nome, sobrenome, RG e CPF, porém, escrever com pseudônimo é normal, como outros tantos autores de renome pelo mundo afora, basta “googlar” para descobrir.

Saudações tupiniquins!

14 de jan. de 2011

5 mil torcedores pelo Nho Quim


Postado por Renata Perazoli



O Xvzão voltou! É o XV de Piracicaba volto a séria A2 do Campeonato Paulista e a estreia é nesse sábado, dia 15, às 19 horas no Barão de Serra Negra. Para incentivar os piracicabanos a comparecerem no Barão de Serra Negra, torcedores se organizaram e estão com uma campanha na rua para levar 5 mil pessoas torcendo pelo Nho Quim. Entre as inciativas está a carreata nesse sábado, com concentração a partir das 9 horas, em frente ao Barão, na rua Silva Jardim.

Percorrendo as principais ruas da cidade, como avenidas Independência, Armando de Salles Oliveira e Rui Barbosa, o objetivo é chamar a atenção dos torcedores que não frequentam o Barão para apoiar o Nho Quim rumo a conquista do Campeonato e, em 2012, competir da série A1.

A iniciativa da carreata surgiu na comunidade do orkut denominada XV de Piracicaba, que conta com mais de 14 mil membros. A postagem sugerindo e incentivando foi feita pelo torcedor do Nho Quim Levy Caparoz, a qual ganhou ampla adesão.

Além da carreata, os torcedores também se uniram e confeccionaram 5 mil panfletos, 100 cartazes e colocaram duas faixa em pontos estratégicos na cidade. Essas iniciativas tem como meta incentivar toda à população para apoiar o time da cidade nessa nova fase do futebol piracicabano. A carreata conta com o apoio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (Semuttran).

13 de jan. de 2011

Eu vi o futuro, e ele não pertence ao álcool


Postado por Eduardo Monte Bello

Caminhando mundo a fora e conhecendo algumas das novidades e tendências que vão modelar nossa sociedade nos próximos anos, eu tive a oportunidade de participar de um fórum sobre energias renováveis na renomada “Escola de Londres de Economia e Ciências Políticas”.

Entre os diversos debates e apresentações que assisti, o que ficou claro para mim, foi a convergência dos vários palestrantes sobre a mesma questão: a exigência de investimentos maciços na busca de novas formas de energia renováveis e o estimulo ao automóvel movido a eletricidade.

Ao refletir na questão sobre automóveis movidos à eletricidade, cheguei à conclusão que a questão não é apenas ambiental como aqueles palestrantes estavam apresentando a todos nós, mas a questão fundamental é geopolítica.

O fato é que nem os europeus e muito menos os americanos vão cometer pela segunda vez um erro grosseiro como este, ou seja, dar de mão-beijada a algum país a soberania de uma matriz energética tão vital como a que move nossos automóveis.

Desta vez, aprendendo com as lições do passado, eles não vão criar autocracias superpoderosas que financiam ataques contra os países do oeste, como fizeram ao escolher o petróleo e, por consequência, enriquecer um pequeno número de países instáveis politicamente como são muitos dos países árabes. Mesmo o Brasil sendo um país democraticamente estável, não quer dizer que eles aparecerão em nosso país e cantar conosco as benesses do álcool.

Por isso, peca aquele que vê o álcool como um combustível do futuro. Como combustível, o que se pode ver nas discussões, foi que o álcool nada mais é do que um combustível passageiro. Um intermediário em uma fase de transição da gasolina para outros combustíveis, como a eletricidade e o hidrogênio.

Ambas essas novas matrizes energéticas podem ser produzidas pelos maiores consumidores de energia do mundo (europeus e americanos). Com isso, esses países estão procurando se distanciar e enfraquecer os países produtores de petróleo e ao mesmo tempo conquistar a tão sonhada independência energética.

Cabe a nós brasileiros repensarmos nossos investimentos no setor sucro-alcooleiro. Não sou nenhum ativista contra a produção de cana-de-açúcar. O que me preocupa é uma nova “quebra do café” como aconteceu a mais de um século e colocou todo nosso estado em uma profunda depressão econômica oriunda de uma economia voltada essencialmente para esse produto.

Outro ponto importante a ser discutido é o “timing” da mudança da nossa matriz energética. Estamos profundamente atrelados ao álcool. No entanto, com os demais países optando por energias mais limpas e renováveis de forma menos agressiva ao ambiente, qual será a nossa posição? Vamos optar também por uma mudança e usar carros apenas a energia? O que falará mais alto no Brasil nos próximos anos? A busca por uma qualidade ambiental ou a imposição da grande cooporação sucro-alcooleira brasileira? Façam suas apostas!